Todos os poemas aqui postados são de autoria de Ineifran Varão

TODOS OS POEMAS AQUI POSTADOS SÃO DE AUTORIA DE INEIFRAN VARÃO

Este blog é exclusivamente para postagem do moderníssimo varano, estilo de poema criado por Ineifran Varão, cujas regras e orientações estão disponíveis para todos os poetas que desejarem praticá-lo.

domingo, 31 de março de 2013


ÁGUA... FORÇA TAMANHA

Corre no rio
No inverno ou estio
Água que brota
De simples grota
... Lá na montanha!

Vai na descida
A gerar vida
Saciar sedentos
Gerar rebentos
... Que sai da entranha!

..........................
Cuide bem dela
Zele por ela
Não a polua!
Veja que a lua
... Nela se banha!

Abrem-se as flores
Banham-se amores
E o verde cresce!
É a água que desce
... E a Terra ganha!

Água preciosa
Tu és generosa
Graças te demos!
De ti bebemos
... Força tamanha!


sábado, 30 de março de 2013

CICLO


Flor quando nasce
Não tem disfarce
Nem a folhagem
Faz-lhe blindagem
... A algum zangão!

Já bem crescida
Mais percebida
Solta o perfume
Que faz ciúme
... A algum botão!

Adulta e bela
Orna a janela
Até murchar...
E se acabar
... Caída ao chão...

sexta-feira, 29 de março de 2013


VARANO – O que é e como fazê-lo

1 – Varano, criado pelo poeta Ineifran Varão, em janeiro de 2013, é um estilo de poema composto por um mínimo de 2 estrofes de 5 versos cada uma e o máximo de 10 estrofes, distribuídas na sequência das seguintes rimas, que são fixas nas suas posições: aabbc + ddeec + ffggc+ hhiic+jjkkc+llmmc+nnooc+ppqqc+rrssc+ttuuc
2– A sílaba tônica exigida é na posição 4 (4ª sílaba poética). As demais tônicas são livres, porém, obedecendo à métrica do poema, que é quadrissílabo (ou tetrassílabo).
3– As palavras rimadas não se repetem na mesma estrofe, e nem mais que duas vezes, ao longo de todo o poema.
4 – O 5º verso de cada estrofe vai rimar com o 5º verso da próxima estrofe, devendo ser precedido de reticências, completando o sentido da estrofe, e a última estrofe deve concluir o tema; a rima do 5º verso não deve coincidir com as rimas dos outros versos da estrofe.
5– O tema a ser narrado ou descrito fica a critério do poeta.

Obs.:As 4 rimas casadas duas a duas, de cada estrofe, podem se repetir, porém, com palavras diferentes, e não mais que duas vezes, se for a mesma palavra, ao longo das estrofes, sendo, entretanto, desejada a não repetição demasiada dessas rimas.

Exemplo: As rimas de uma estrofe que forem ia/ia+eu/eu podem aparecer em outra estrofe, mas com palavras diferentes ou, como dito acima, no máximo duas vezes a mesma palavra ao longo de todas as estrofes:
... Maria/valia+cedeu/perdeu e em outra estrofe ... Sabia/descia+meu/seu.


AGRADECIMENTO

Grato, poetas
Direto às metas
Primeiro sim
A vós e a mim
... Sois baluarte!

Grato vos sou
Sino soou
Avante ireis
Sois como reis
... De amor à arte!


VARANO – What is it and how to make it?

1 - Varano is a poem created by poet Ineifran Varão in January 2013. It consists of a minimum of two stanzas with five lines each and a maximum of 10 stanzas, distributed in the following sequence of rhymes, which are fixed in their positions: aabbc ddeec ffggc hhiic jjkkc llmmc nnooc ppqqc rrssc ttuuc
2 - The stressed syllable is required at position 4 (4th poetic syllable).The other stressed syllables are free, obeying the metric system though.
3 - Rhyming words do not repeat the same verse, and no more than twice throughout the poem.
4 - The 5th verse of each stanza will rhyme with the 5th verse of the next stanza and must be preceded by an ellipsis, completing the meaning of the stanza and the last stanza to complete the theme, the rhyme of the 5th verse should not coincide with the rhymes of other verses of the stanza.
5 - The theme to be narrated or described is at the discretion of the poet.

Note: The 4 pairs of rhymes in each stanza may be repeated, but with different words, and no more than twice, in case of the same word, throughout the stanzas. Avoid too much repetition of these rhymes.

PERDÃO, SENHOR!

Raça de humanos
Cheia de enganos...
Desde o começo
Teve o tropeço
... Em seu caminho!

Pregou na cruz
Senhor Jesus,
O Salvador
Feito de amor!
... Que descaminho!

Pede o perdão
E a salvação,
Ó bicho humano!
Chega de engano
... Chega de espinho!

quinta-feira, 28 de março de 2013


CORPO-A-CORPO

A luz difusa
Clareia a blusa
E a impaciência
Na transparência
... Já me alucina!

Aflora o amor
Que sem pudor
Faz um só corpo
No corpo-a-corpo
... Minha doutrina!

VOA, VARANO!

Voa, varano
Vai soberano
Toma outros ares
Nos teus voares
... Leva a poesia

Criei-te há pouco
Mas não sou louco
Em te prender
É meu querer
... Tua alforria

Leva de mim
Meu simples sim
A essa arte
Tu és minha parte
... És minha cria

Varano, voa
Que a hora é boa
Eu fico aqui
Cantando a ti
... Em sintonia!

SAGA 

Aragem fina
Bem matutina
Traz teu perfume
E eu com ciúme
... Guardo-o pra mim

É o dia nascendo
E eu refazendo
A mesma saga
Na mesma plaga
... Que não tem fim

Tenho-te aqui
Tens-me aí
E sem deslizes
Vamos felizes
... Vivendo assim!

AO POETA NATHALÍCIO, em retribuição à homenagem a mim prestada em varano!

Caro poeta
Essa é a meta
Que a poesia
Tem a mania
... De oferecer!

Homenageado
Sinto-me honrado
E humildemente
Esse presente
... Não vou esquecer!

Dom Nathalício
Desde o início
Vi seu trovar!
Seu poetar
... Tem que se ler!

Escreve poema
Com arte extrema
Manda ao universo
Vestido em verso
... Puro saber!

Deus, este ano,
Deu-me o varano!
Passo-o ao mundo
Com o mais profundo
... Agradecer!


À POETISA LUNA DI PRIMO

Tua elegância
Não vê distância
Tens dentre as damas
De tantas flamas
... Grande perfil

Versas os versos
E até os anversos
Com maestria
E fidalguia
... Tu és mui gentil

Gentil poetisa
Tu és a baliza
Cá dos meus feitos
Rendo-te preitos
... De nota mil!

AMADA

Do alto a luz
No céu reluz
Em noite clara
Qual jóia rara
... Lua anelada

Fosse eu alado
Teu namorado
Iria eu ser
Pra te fazer
... Mi’a namorada!

Serias cheia
Minha candeia
A iluminar
O meu amar
... Lua encantada

Luzes e estrelas
Irias tê-las
No teu caminho
E o meu carinho
... De mão beijada

Tempo passou
E me ajudou
A encontrar-te...
Fiz-te destarte
... Minha pousada!

Ó Lua linda
Lembro-me ainda
Beijei-te a face...
Foi nosso enlace
... És minha amada!


FLOR SELVAGEM

Moça do mato
Quase sem trato
Qual flor selvagem
Perfuma a aragem
... Com seu frescor!

Ó moça arisca
Teu olhar pisca
Ao ver o mundo
Por um segundo
... Em resplendor!

Moça donzela
És flor tão bela...
Em sonho vejo
A dar-te um beijo
... Um beija-flor

Vai-se o meu sono
E eu me questiono...
Volto a sonhar
Pra te ofertar
... Ardente amor!

BABEL

É longa a escada
Mal acabada
É toda em curva
Visão se turva
... Quando há neblina!

Vultos ao léu
Buscando o céu
Nos precipícios
E onde há resquícios
... De uma colina

É uma Babel
Misto cruel...
Vão às alturas
Com suas agruras
... Nada combina!

Seres humanos
Sem luz, sem planos...
Estão perdidos
Mortos sentidos
... Que triste sina!

ABANDONO

É quase outono
E no abandono
Vão-se os jardins
Morrem jasmins
... E choram rosas!

Fim de verão
Torra o sertão
A água é escassa
Fugiu a caça
... Fugas penosas!

Quanta maldade
Que da cidade
Pouco se vê!
Lá na TV
... Pessoas famosas

Como as modelos
Que em osso e pelos
Mostram luxúria...
Comem penúria
... São dolorosas

E os políticos
Tão paralíticos
Dinheiro a rodo
Com muito engodo
... Dúzias e grosas!

Você que é povo
Vota de novo?
Morre o da roça
Na sua palhoça
... Só rebordosas! 

PERDÕES

Como em rapel
O menestrel
Vai às colinas
E lá nas minas
... Canta canções!

Como cultor
Eu tomo a flor
E em paz a rego
E assim me entrego
... Às emoções

Os menestréis
Qual nos rapéis
Cantam pras flores
Os seus amores
... E as suas paixões!

Eu que cultivo
O amor altivo
Propago ao mundo
O bem fecundo
... Que há nos perdões!

TURNOS DA NATUREZA

O azul do céu
É como um véu
Esconde estrelas!
Não dá pra vê-las
... Na luz do dia!

No azul-cortina
Luz que ilumina
Provém do sol
Grande farol
... Que se irradia.

Em nós também
Há sempre alguém
Que guarda enganos
Ou desenganos
... Qual na coxia!

Da noite o manto!
Aflora o encanto
De corações
Entre paixões
... Com fidalguia

E o azul de então
Na escuridão
Mostra as candeias
Luzentes teias
... Que não se via!

DOCES AIS 

Quando anoitece
E a lua aparece
Banco de praça
Se enche de graça
... Belos casais

Corações novos
‘Pisando em ovos’
Suspiram fundo
Saem do mundo
... Reais carnais

Sem dor nem pecha
Cupido flecha
E o amor derrama
A sua chama
... Em doces ais!

O INTERIOR EM CONTRIÇÃO 

São seis da tarde
Sol já não arde
Ao longe os sinos
Badalam hinos
... Hora da reza

Donas Marias
Senhoras pias
De escapulários
Levam hinários
... Que o povo preza

Assim é a vida
Ainda vivida
Com mui fervor
No interior
... Noites de reza!

JUNTOS SEMPRE

Não morrerás
Pois estarás
Nos sonhos meus
Assim quer Deus
... É o que espero!

Nunca  tristuras
Somente curas
Irás comigo
E irei contigo
... Porque te quero!

quarta-feira, 27 de março de 2013


CANDORES 

Lá bem no alto
Sem sobressalto
Plana sozinha
A lua vizinha
... Lua dos amores

Dentro de mim
Qual folhetim
Escreve o nome
Retorna e some
... Cheia de flores

São seus presentes
Remanescentes
De dias risonhos
De belos sonhos
... De seus candores!

TRISTEZA 

Quando ela vem
Não importa a quem
Vem e se instala
Ao outro abala
... Falta alegria

Essa é a tristeza
Que com certeza
Não é bem vinda
É estrada finda
... Sem fantasia

Ah... Se eu pudesse
Sumia num ‘S’
É torpe o mundo
Dói lá no fundo
... A hipocrisia

Mostram-se os dentes
Como contentes
Mas seu querer
É nos morder
... Na covardia


SEM COMPAIXÃO

Cai à desdita
E na dor grita!
O sangue corre
Qual fosse um porre
... No coração

Enfrenta a eira
Cruel asneira
Ingenuidade
Sem falsidade
... Com ilusão

Que venham dias
Com alegrias
Antes que a sorte
Traga-me a morte
... Sem compaixão


AUSÊNCIA 

Já não consigo
Ver um abrigo
A noite é escura
Algo tortura
... Minha existência

Perdi o nexo
No desconexo
Do meu caminho
Perdi o ninho
... Pedi clemência

A mente vaga
Sem ver a saga
Cansou-me a idade...
Co’a ansiedade
... Veio a dormência!

Palco da vida
Já tão vivida
Fecha a cortina...
Fito a colina
... Sinto essa ausência!

FIM DA VINDIMA

Morrendo aos poucos
Meus versos roucos
Sentem cansaço
E a cada passo
... Perdem a rima...

É grande o peso
Dói o desprezo
Que a vida cobra
E em mim redobra
... Mata-me o clima

Já não consigo
Viver comigo...
Desolação
Cava meu chão
... Ordem de cima!

A vida agora
Manda-me embora
Cobra-me o arresto
Já não mais presto
... Fim da vindima!

VAZIO

Mundo vazio
Tempo de estio
Nada a fazer...
Ficar pra ver
... Raias do fim?

Perdem-se as cores
Perdem-se amores
Voam falenas
Sem dor, sem penas
... Qual querubim!

Nada mais resta
Final da festa
E morre a planta
Que desencanta
... Cai o jasmim!

‘CADA MACACO NO SEU GALHO’ 

No campo a flora
No tempo a hora
Na flor o olor
Na paz o amor
... No sol a luz!

No mar a água
Nos olhos bágua
No adeus o choro
No altar decoro
... Na dor a cruz!

No belo o esteta
No poema o poeta
Se é belo ou feio
Cada um, seu meio!
... Tire o capuz!

VIVER COM SORTE

No azul do mar
A navegar
A vela inflada
Vence a lufada
... Do vento norte!

Igual um barco
De vela e marco
A vida vence
Todo o suspense
... Qual num transporte    

Nessa constância
Desde a infância
Forte é meu remo
Valor supremo
... Meu passaporte

Meu baluarte
Descrevo-o n’arte
São dias meus
Doação de Deus
... Sinto-me forte!

Fica a esperança
De que a bonança
Serene o mundo
Co’amor profundo
... Maior suporte!

Rumos da vida
Bem divertida...
Ir sem antolhos
Melhor pros olhos
... Evita o corte!

Se paz houver
E o homem souber
Usar o amor,
Vai aonde for
... Beija-lhe a sorte!


RELENTO

Andava só
Digno de dó
O pobre ser
Que sem viver
... Chorava a dor

Andava ao léu
Seu teto... O céu
Sua fé em vão
Era  o bastão
... Era o sol-por

Levou-lhe a morte
Não teve sorte
Nem alegrias
Foram-se os dias
... Não viu o amor!

Assim são tantos
Que em desencantos
Dormem na rua
Lua após lua
... Cuidai, Senhor!

SEM EMOÇÃO

Se o teu sonho
Anda tristonho
Algo de errado
Anda a teu lado
... Cuidado, então!

Não vale a pena
A tarde amena
A noite bela
Lua na janela
... Se há algum senão!

Na vida segues
Mesmo que negues
Qualquer tristeza
Mas, com certeza
... Sem emoção!

PREGUIÇA

Pois é... Preguiça
A ninguém iça
Nada constrói
E só destrói
... O que foi feito!

A indolência
Leva à demência
Atrasa a vida
E vem munida
... Do que é malfeito!

Se é por doença
Não perca a crença
Procure ajuda
Nunca se iluda
... Não é defeito!

Não perca o ânimo
Pois o desânimo
Não traz a sorte
Mas sim a morte
... Viva direito!

PICHULÉ 

Passa no céu
Formando um véu
Outro cometa
E o exegeta
... Já diz o que é!

Se luz cadente
No ocidente
Em luz intensa
U’a bola imensa
... Já abala a fé!

Ó gente fraca
Meia pataca
Não se apavore
Saber explore
... Cheire um rapé...

Vai espirrar
Até cansar
Ficar co’um cheiro
Igual puleiro
... Mais que chulé!

Estude um pouco
Não seja um louco
De ir em conversas
As mais diversas
... De um Zé-mané!

Não abra a boca
Ainda que pouca
Pra dizer nada
Deixe-a calada
... De boa-fé!

Seja tenaz
E perspicaz
Em seus estudos
Ter só canudos
... É pichulé!

CAINDO A NOITE 

Desce co’a noite
Sem dor ou açoite
Suave a mão
Que ao coração
... Acaricia

Desce a candura
Doce figura
Que aos corações
Leva as paixões
... Com fidalguia

Um canto ameno
De tom sereno
Qual u’a redova
Invade a alcova
... Com nostalgia

E nos amamos
Poesias cantamos...
E em puro enlevo
Já vai longevo
... Raiando o dia

Essa pureza
Fidalga, alteza
É nossa marca
E em nossa barca
... É nossa guia

Amo-te assim
És tu em mim
Sou eu em ti
No frenesi
... Dessa magia!

MOMENTOS 

E quando chega
Ela se achega
E então me achego
Em seu chamego
... É muito bom!

Os sentimentos
São por momentos
Unificados
Doces pecados
... No edredom

Eu rego a planta
Que a mim encanta
Fico a seu lado
Já descansado
... E ouço o seu som

No respirar
Depois de amar
Um beijo traz
A mesma paz
... O mesmo tom!

EM ORAÇÃO

Abra suas asas
Por sobre as casas
Solte sua voz
Do início à foz
... Qual ser alado

A nós proteja
De onde esteja!
Anjo da Guarda
És salvaguarda
... Ao nosso lado!

Que todos tenham
O que desenham
Em cada mente
E livremente
... Se bem pensado

Que nenhum mal
Seja fatal
Que haja justiça
Sem a cobiça
... De algum togado

Que cada dia
Traga a alegria
Bem amiúde
E a saúde
... Ao precisado

Que Deus Senhor
Dê-nos o amor
Dê-nos o bem
E assim, amém
... Muito obrigado!

PEDINDO A PAZ!

Abrace o mundo
Por um segundo
Com sentimento
De bom intento
... E peça a paz

Ser positivo
E proativo
Carrega o bem
Sempre com quem
... Assim o faz

Forças juntemos
No que escrevemos
Buscando a luz
Que nos conduz!
... Você é capaz!

O MAL SUCUMBE AO BEM! 

Ave d’alturas
O que procuras
Se tudo vês
Não há porquês
... Eu sim sou um Mago!

̶  Se daqui vejo
Eu num lampejo
Pego uma presa
E é farta a mesa
... E nada pago

Pois tentarei
Fazer-me um rei
Para acabar
Com teu voar
... Farei estrago!

̶  Tua pobre vida
Anda falida
Olha tua veste
Faze que preste
... Dá-te um afago!

E ele seguiu
O que ouviu...
Deu-se valor
Deixou o torpor
... Tomou um trago!

Deixou a inveja
Que a vida aleija
Cuidou das uvas
Contra as saúvas
... Sentiu-se alado

Não mais sozinho
Urdiu seu ninho
Entre plumagens
Lá bem às margens
...  De um belo lago!


DECEPÇÕES

Não sei fingir
Nenhum sentir
E facilmente
Desço a vertente
... Que é das paixões

Fiz investida
Por essa vida
E acreditei
No que sonhei
... Foram ficções!

Em sonho andei
Não sei se errei...
Sonho é virtual
Não é real
... Mas...ilusões!


ROSA CARMIM 

Vieste a mim
Rosa carmim
Para enfeitar
E perfumar
... A minha vida

De ‘pé no chão’
Sem um senão
Num brinde à alma
Salva de palma
... Bem merecida

Tocas meus sonhos
Nunca tristonhos
E sem espinhos
Abres caminhos
... Embevecida

Dou-te o carinho
Que em nosso ninho
Faz-nos crescer
Entre o prazer
... Da alma crescida!


SEM ESCRAVIDÃO 

Vão como a roda
Sem corte ou poda
Seguindo a esteira
Mais verdadeira
... Da imensidão

Palavras soltas
Em nada envoltas
Levam mensagens
Abrem passagens
... Na escuridão

Assim meus versos
Tão controversos
Pelo infinito
Levam meu grito
... Sem dimensão

Que o mundo veja
Nessa peleja
O ruim e o bom
Cada um seu tom
... Com distinção!

É assim que escrevo
No que me atrevo
Nessa aventura
Pela cultura
... Sem ‘scravidão!

... DO MEU DIVERSO

E gira o mundo
Num céu profundo
Por entre estrelas
Todas mui belas
... Pelo universo

Por esse céu
Qual fosse ao léu
Vão as palavras
Das minhas lavras
... Nesse meu verso

Um dia veremos
O que escrevemos
Sendo estudado
E analisado
... Até o reverso

Como em qualquer
Diz-se o que quer
Críticas valem
Pois que se instalem
... Tal controverso

Mas vale a pena
Pensar a cena:
̶ Também fui útil
Não fui tão fútil
... Nem fui perverso!

Fiz o que pude
Nada me ilude...
Essa é minh’arte
Pequena parte
... Do meu diverso!

TUA COMPANHIA 

Azul cortina
Sob a neblina
Que traz a noite
Longe do açoite
... Do dia a dia

A calma chega
E mais se achega
O amor em mim
Na paz sem fim
... Tua simpatia!

Vão-se os enganos
Como os fulanos
Vem a bondade
Felicidade
... Tua companhia!

DO MESMO BARRO

Da pele a cor
Seja qual for
Brilha no ser
No alvorecer
... Da criação

Vence a igualdade
Fraternidade
Bens que enriquecem
E que enobrecem
... Nossa Nação

Vence a cultura
Que se afigura
Como a mais rica
Nos anais fica
... Grande menção!

Somos qual jarro
Do mesmo barro
De onde viemos
Pra onde iremos
... É outra questão!

Vivamos bem
O quem com quem
A vida é única
Tire essa túnica
... Dê-me um abração!

QUAL A RAZÃO...

As horas passam
Olhos se embaçam
No andamento
Do pensamento
... De indagação!

Passam-se as horas
Vêm as demoras
Desconhecido
Fica o sentido
... ‘X’ da questão.

Perde-se o tino
De qual destino
De qual estrada
Qual empreitada
... Qual a razão!

QUERIA TE AMAR 

Subi ladeira
De dar canseira
Dobrei esquina
Seguindo a sina
... Pra te encontrar

Naveguei mares
Tantos lugares
Dias nascendo
Noites descendo
... Tentando achar

Sequer sabia
O que eu fazia...
No inconsciente
Já era patente
... Queria te amar!

REALISMO REMANESCENTE

Sobe a ladeira
Vai tão faceira
Vai toda prosa
Toda garbosa
... Nega Fulô

Vai ver seu nego
Fazer chamego
Porque Sinhá
Foi tomar chá
... Foi com Sinhô

Roupa de chita
Voltou bonita
Voltou contente
Disse: Sou gente
... Falo ‘hello’

Mostrou na lida
Que nessa vida
̶  Como se diz
Viveu feliz  
... Sem bangalô!

DENGUE 

Mosquito aqui
Mosquito ali
Faça o combate
Antes que mate
... O nosso povo!

Ele é danado
Todo pintado
Não seja a parva
Ataque a larva
... Qual fosse um ovo!


APARÊNCIAS ENGANAM

A flor azul
Veio do sul
Num dia frio
Deu calafrio
... Quando aportou

Com ela o amor
Tomou sua cor
Mas ficou triste
E inda persiste
... Como chegou

As aparências
Não-transparências
Escondem medo
Guardam segredo
... De quem falhou!

SEM VIOLÊNCIA, SERIA DIFERENTE!

Doce lembrança
Quando criança
Corria solto
Feliz e envolto
... Na liberdade

Sem videogame
Ouvia: ‘Não teime!’
Obedecia
Tudo vencia
... Sem ter maldade

Sem violência
Sem truculência
Hoje teríamos
O que fazíamos
... Bem e à vontade!


DESCASO

Desce na rampa
Com ou sem tampa
Garrafa pet
Goma chiclete
... A poluir

Chora em lamúria
Depois da fúria
Do vendaval
Que enche o quintal
... A se entupir

Falta educar
Falta ensinar
Cadê a política?
Fala-se em crítica
... Triste a falir!

COTIDIANO

Ecoa o grito
Pelo infinito
Pedindo paz...
Que nos apraz
... E um mundo são!

Humanos somos
Não somos gomos
A descartar
A esmagar
... Jogar ao chão!

Eis as calçadas!
Viram privadas
Antros de drogas
Diante das togas!
... Que escuridão!

Fora a ganância!
Que extirpa a infância
Destrói a alma
Deturpa a calma
... Por ambição!

Quanto poder
Muito a fazer
E nada fazem!
Na rua jazem
... Qual multidão...

Diz-se que é um baque
O tal do craque;
Não vão à fonte
Tão bem defronte
... Por omissão!

Tratar somente
É leniente
Mas não resolve...
Mais absolve
... Pura ilusão!

Vão à TV
Dizer o quê?
Que estão fazendo
E acontecendo?
... Voto mais não!

O mundo sofre
Ao ver o cofre
De alguns encher
Contra o morrer
... Sem solução!